Entrevista com Fábio Vermelho, da Weird Comix

Fábio é o responsável pelas publicações da Weird Comix, selo que compila 11 publicações até o momento, além de ser ilustrador e quadrinista, com trabalhos publicados pela Escória Comix e Editora Veneta.

Quando começou a consumir quadrinhos? E quando teve contato com os quadrinhos alternativos?

Comecei a consumir quadrinhos comprando mangás nas bancas de revista. Na época comprava bastante os da Conrad, como Dragon Ball, One Piece e Battle Royale. Isso na época em que eu estava na escola. Quando entrei na faculdade foi quando comecei a ler o Robert Crumb, que saía pela Conrad também, e daí fui descobrindo outros autores da época, como o Gilbert Shelton, que é outro que gosto muito. Com o passar dos anos outras referências vieram, como Charles Burns, Gilbert e Jaime Hernandez, Daniel Clowes, Crepax, etc.

De onde surgiu a ideia de publicar seu próprio zine e como foi lá no começo? A experiência de produzir seu próprio quadrinho de forma totalmente independente.

A ideia surgiu de ver que muitos gringos já faziam isso de se auto-publicar, eu acompanhava pela internet. Pessoas como o Noah van Sciver, por exemplo. Aí dei uma pesquisada para ver o que andava saindo no Brasil desse tipo de material alternativo e acabei me deparando com o Gente Feia na TV, do Chico Félix, que comprei e adorei de cara. Aquilo me empolgou para eu mesmo fazer meus gibis. Comecei eles em inglês porque decidi vender para o mundo todo através da internet. Afinal, eu não fazia parte de nenhuma cena de quadrinhos aqui no Brasil, eu conhecia mais as pessoas da internet que lançavam independentemente. Foi assim que decidi fazer as Weird Comix. Para mim a experiência de se auto-publicar é ótima, todos deviam passar por isso antes de publicar por uma editora. Sei lá, ajuda a conhecer seus leitores e sua própria identidade artística. No começo eu imprimia somente 50 cópias de cada edição, depois fui subindo aos poucos conforme o número de leitores aumentava. Hoje em dia, na 11° edição, imprimo 105 cópias.

Recentemente seus quadrinhos estão sendo reimpressos pela Escória Comix, além é claro de um projeto novo que deve sair ainda em 2021, Bebês Maníacos da Lagoinha, o que pode contar sobre esse novo quadrinho?

Esse novo quadrinho partiu de uma proposta extremamente simples que era desenhar uma estória com bebês canibais, e que tinha que se passar numa cidadezinha do interior. A partir daí fui inventando o resto conforme a estória ia se desenvolvendo, tanto na minha imaginação quanto no papel. Gosto de ir desenhando logo o quadrinho antes dele estar 100% concluído, gosto de ver para onde o enredo vai me levando conforme ele vai sendo criado.
Vai ter os ingredientes de sempre dos meus gibis: clima de suspense, um pouco de tensão, litros e litros de sangue e um pouquinho de putaria. Está sendo muito divertido de desenhar, eu diria que o mais divertido até agora. Nunca imaginei que desenhar bebês comendo gente seria tão legal.

Como é seu processo de criação? Desde a ideia inicial até o produto final, como você desenvolve essas histórias?

Conforme disse anteriormente, meu processo é meio desorganizado, meio caótico. Tenho uma ideia geral de como será o gibi quando começo ele. Tenho meio que acertado o começo, o meio e o fim, mas não tenho ainda todas as pontas amarradas, todas as cenas já criadas. Isso vou criando conforme desenvolvo e desenho a estória. Tem reviravoltas que vem no meio do quadrinho que nem eu mesmo havia pensado quando comecei, mas que a ideia me surge aleatoriamente. Vou anotando em um bloco de notas as ideias e falas dos personagens que surgem para eu não esquecer, mas em geral é o máximo de anotações que faço.
Também não gosto de desenhar a miniatura das páginas antes de fazê-las. Geralmente tô pensando no layout de uma página enquanto estou desenhando a anterior. Vou pensando nas falas da próxima página também… resumidamente, é uma grande desorganização, mas que no final tudo se junta.

Qual o quadrinho que você gostaria de indicar pra quem não conhece nada do seu trabalho?

Eu indicaria O Deplorável Caso do Dr. Milton, que provavelmente é o mais louco de todos. Tem também o Assassino na Casa, que é curtinho e rápido de ler.

E quais as suas maiores influências para a criação das histórias? Desde os quadrinhos até o cinema e a música.

Minha maior inspiração musical para criar quadrinhos sempre foram os Cramps. Desde o início queria que meus gibis fossem o que os Cramps foram para a música: diferentes, criativos, cheios de energia e reciclando coisas velhas dos anos 50 e 60 (risos).
No cinema tenho algumas inspirações como o John Waters, o Jörg Buttgereit, David Cronenberg e um pouco de David Lynch, filmes B dos anos 50 e filmes de terror no geral.
Nos quadrinhos tenho muita influência no traço vinda de artistas como o Robert Crumb, Charles Burns, Crepax… mistura esses três artistas nada a ver um com o outro, bate com um pouco de chorume que sai o meu traço mal feito. Quanto ao conteúdo sou inspirado por muitos quadrinistas que estão criando hoje, o que me motiva muito a criar também. Gente como o Victor Bello, João Pinheiro, Marcello Quintanilha, Chico Félix, a Velha, Simon Hanselmann e Anya Davidson… bastante gente!

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Paulo Cavagnari

Leitor de gibizinho e criador do Tosqueira. Além de falar de gibi nacional por aqui, eu falo de gibi de hominho no Vigilante Atômico, podcast dedicado aos super heróis.

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